Eu era equilibrada. Juro que tentava parar de balançar os pés debaixo da mesa, mas quem é que consegue calar os pensamentos? Tem gente que não consegue nem calar a boca. Sou uma afortunada.
Não, eu não sou. Eu me desconcertava toda quando via alguem levantando-se para pegar café. Aliás, eu sempre achei estranho que café (preto do jeito que é) nunca deixasse bigode, diferente do leite.
Eu não posso beber café puro, só descafeinado. Sempre fui hiperativa, desde que nasci. Tenho um turbilhão de pensamentos e consigo ouvi-los mesmo no centro da cidade, com todas aquelas vozes de diferentes alturas e tons. Acho que por isso escolheria morar num apartamento barulhento, onde poderia me distrair de mim mesma, observando a rua e as cores dos carros. Soa até poético, mas não, não é. Eu devo ter perdido algum pedaço de mim no asfalto quando era criança, porque, juro, meus olhos não conseguem se despregar dele quando eu ando. Deve ser por isso que nunca tropecei, ou será que é por que uso tênis e não saltos? Nas manhãs de sábado, Victor e eu ficávamos encarando o microondas com preguiça de esquentar qualquer coisa pra almoçar. Mentira, eu não sei pra onde é que o Victor olhava. Ele sempre foi meio vesgo. Aliás, Victor é meu peixe beta. Eu conto tudo a ele, quase tudo, pois tem coisas que são só minhas, e eu tenho ciúmes dos meus pensamentos, aliás, sou muito ciumenta, possessiva, obssecada! Gosto de All stars vermelhos, verdes não. Sou do tipo que sofre em silencio. Felicidade e paz de mente não foram feitas para mim. Sou engraçada. Medonha. Hipérbole. Quase confiável. Sociável, porém mantenho contato com pouquíssimas pessoas, mas converso com muitas. Sou extremamente fiçurada em frio e em dias nublados. Detesto calor e indiferença. Respiro música, amo Avenged Sevenfold. Amo português e inglês. Sou apaixonada por letras e suas organizações em frases. Sou simpática com quem quero, literalmente, minha mãe sabe disso melhor que ninguém. Tenho medo de pessoas, elas são racionais e perigosas. Gosto de banho de chuva, de um abraço apertado e verdadeiro, seguido de um beijo na bochecha.
Sorriso falho, banho de mangueira, bermudas molhadas, grama verde, nescau quente de manhã, brigas pra ver quem senta em frente à televisão mesmo sabendo que estaria passando jornal.
Eu quero isso e tudo mais, por que o melhor de mim foi sim, a minha velha infância, que nem tão velha é, e que mesmo assim é empoeirada e possuída por traças. Amo muito, amo por dois. Sofro muito, sofro por dois. Depois que acaba, depois que eu caio com tudo no chão, sabe o que faço? Saio do "mundo" ligo a TV e assisto um comercial de café.
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